A juíza Amini Haddad Campos, titular
do Juizado Especial Criminal de Várzea Grande, lançou em Vitória (ES) a
campanha nacional Pró-equidade de Gênero, da Associação dos Magistrados
Brasileiros (AMB). A ação ocorreu durante o Seminário “A Violência Doméstica e
Familiar Contra a Mulher: Desafios e Possibilidades”, realizado pelo Tribunal
de Justiça daquele Estado dia 28.
A campanha da AMB, que já foi lançada
em Mato Grosso, Ceará e Brasília, tem por objetivo conscientizar a população
sobre a igualdade de gêneros em vários aspectos, como carreira (salário,
emprego e promoções) e também combater os crimes que são praticados contra as
mulheres, como violência doméstica, tráfico para fins de prostituição e turismo
sexual.
Após explicar as propostas da
campanha, a juíza Amini Haddad Campos, que é diretora da Secretaria de Gênero
da AMB, proferiu uma palestra, em que divulgou dados alarmantes sobre a
situação da mulher no Brasil e no mundo.
A magistrada informou que recente
pesquisa realizada pelo IPEA mostrou que 65% das pessoas que responderam ao
questionário acreditam que o estupro é justificado caso a mulher esteja usando
roupas curtas e atraentes. “Infelizmente, a culpa da violência ainda recai
sobre a mulher”, disse.
Na avaliação de Amini Haddad, esse
pensamento precisa ser debatido, pois nada pode justificar a violência. Ela
considerou que a quantidade de pessoas presentes ao seminário, entre elas
operadores do Direito e também imprensa, vai ajudar a disseminar as ideias
debatidas no encontro. A campanha agora será lançada em São Paulo e no Rio de
Janeiro, sem data marcada.
Dados apresentados pela juíza mostram
o Brasil no 7º lugar do ranking mundial no número de assassinatos de mulheres
por companheiros e ex-companheiros. O país também é o 1º colocado das Américas
no tráfico internacional de meninas (dados da OEA/2013), além das situações de
desvalorização no mercado de trabalho, com salário em média de 50 a 30% menores
quando ocupam a mesma função e com a mesma carga horária dos homens.
Em outros países a situação é ainda mais
grave. No Congo, cerca de 1.100 estupros são relatados por mês, uma média de 36
mulheres e meninas vítimas por dia. Além disso, mais de 130 milhões de mulheres
e meninas vivas foram submetidas na África e Ásia à mutilação vaginal.
Na Índia, ao longo de 3 gerações,
cerca de 50 milhões de mulheres foram eliminadas. Os principais métodos são o
feticídio feminino, infanticídio, assassinatos relacionados a dote e
mortalidade materna, devido a abortos forçados para evitar que meninas nasçam.
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