Recomendado para leitura na Unidade 2 do Módulo 5, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres é um documento muito importante para a luta contra todas as formas de violência contra as mulheres. Através dele, ficam reafirmados os princípios orientadores da política nacional para mulheres propostos como diretriz para todo o processo das conferências e a definição das políticas de âmbito nacional, estaduais e locais:
♦ a autonomia das mulheres como princípio gerador das políticas e ações do poder público e que
são propostas para a sociedade;
♦ a busca da igualdade efetiva entre mulheres e homens, incidindo sobre as desigualdades sociais
em todos os âmbitos;
♦ o respeito à diversidade e combate a todas as formas de discriminação com medidas efetivas
para tratar as desigualdades em suas especificidades;
♦ o caráter laico do Estado como um princípio rigoroso de que as políticas públicas não podem se
mover por definições religiosas;
♦ a universalidade dos serviços e benefícios ofertados pelo Estado, o que exige justiça e
transparência;
♦ a participação ativa das mulheres no diagnóstico da realidade social, formulação das políticas,
implementação, controle social.
A garantia da igualdade de gênero no exercício dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, respeitadas as diferenças, é condição para que todos os cidadãos e cidadãs possam realizar-se como seres humanos e contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Por isso, em um estado democrático de direito, a efetiva igualdade entre homens e mulheres é estratégica na luta contra todas as formas de discriminação e na defesa da dignidade da pessoa humana.
Igualdade no mundo do trabalho, participação nos espaços de poder e decisão, acesso à educação, acesso à saúde e combate a todas as formas de violência são frentes em que se deve atuar para garantir que não haja discriminação contra as mulheres.
O Brasil tem uma Constituição avançada na proteção dos direitos da mulher. Os tratados internacionais sobre a matéria foram ratificados pelo País. Nos últimos anos, o aprimoramento do aparato estatal e normativo permitiu a evolução do exercício dos direitos das mulheres. No mercado de trabalho, têm-se reduzido os desníveis salariais entre homens e mulheres. Melhoraram os índices de acesso feminino à educação e à saúde. Avanço importante deu-se também no combate à violência contra a mulher, campo em que as mulheres dispõem, hoje, da proteção legal.
Muitos desafios foram vencidos, mas há muito a ser conquistado. Resistências culturais enraizadas socialmente mantêm diferentes formas de desigualdade e de discriminação. As mulheres continuam a sofrer diversos tipos de abuso e discriminação no local de trabalho, têm dificuldades para participar das decisões políticas e ainda sofrem vários tipos de violência. São desigualdades marcantes não apenas entre homens e mulheres, mas entre as mulheres de diferentes classes sociais, idades e etnias.
O centro da política de Estado em relação às mulheres é o combate aos fatores que favorecem a continuidade da discriminação e da violência. O foco é a busca da igualdade de gênero em todos os seus aspectos, em cujo horizonte está o pleno desenvolvimento e a realização de todas as mulheres como cidadãs.
Principais avanços recentes
2003: Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
2004: Criação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
2005: Aprovação do I Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (Decreto 5.390).
2005: Criação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
2005: Lançamento do Programa Mulher e Ciência.
2005: Lançamento do Programa Pró-Equidade de Gênero.
2006: Lançamento do Programa Gênero e Diversidade na Escola.
2006: Edição da Lei Maria da Penha (Lei 11.340).
2006: Criação de incentivo à formalização do emprego doméstico (Lei 11.324).
2006: Lançamento do Plano Trabalho Doméstico Cidadão.
2007: Lançamento do Plano Integrado de Enfrentamento à Feminização da Epidemia de Aids e outras DST.
2007: Lançamento do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres.
2007: Lançamento do Programa Trabalho e Empreendedorismo das Mulheres.
2008: Aprovação do II Plano Nacional de Política para Mulheres (Decreto 6.387).
2008: Lançamento do Programa de Prorrogação da Licença à Gestante e à Adotante (Lei 11.770).
2008: Lançamento do Programa Trabalho, Artesanato, Turismo e Autonomia das Mulheres.
2008: Lançamento do Programa Organização Produtiva de Mulheres Rurais.
2009: Lançamento do Programa Mulheres Construindo a Autonomia.
2009: Revisão da legislação eleitoral no que diz respeito às mulheres (Lei 12.034).
Leia o plano na íntegra em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/planonacional_politicamulheres.pdf
Por: Andressa Ramires Pires Marquardt


