terça-feira, 20 de maio de 2014

As Conquistas do Movimento Feminista e dos Movimentos de Mulheres no Campo do Enfrentamento à Violência contra à Mulher

Apesar de não ser fenômeno recente a violência contra a mulher só começou a ser pautada e, seu enfrentamento, tornou-se uma bandeira de luta do movimento feminista e dos movimento de mulheres no Brasil na década de 1970 (PINTO, 2003).  Desde então, muitas conquistas foram alcançadas, dentre as quais destacamos:

  •  a criação e desenvolvimento de serviços direcionados ao atendimento à mulher em situação de violência, como o SOS Mulher na década de 1980 e as atuais instituições e centros de atendimento e defesa dos direitos da mulher;
  •  a criação das Delegacias de Defesa da Mulher no âmbito dos estados, a partir de meados da década de 1980;
  •  a ratificação pelo Brasil de instrumentos internacionais de combate à violência contra a mulher como  a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, Convenção de Belém do Pará (1994);
  •  a promulgação da Lei Maria da Penha que visa coibir e punir a violência contra mulheres no país;

Apesar disso, muito se precisa avançar, pois tais medidas ainda não foram capazes de promover, até o momento, a queda nas taxas de homicídios de mulheres no Brasil que cresceram desde os anos 1980 e continuam elevadas (WAISELFISZ, 2012) seja pelas dificuldades de implantação de tais medidas, seja pela incompletude dessas ações, uma vez que o enfrentamento à essa expressão da questão social é complexo e requer o engajamento de diferentes instituições.

Cabe registrar ainda que o número de Delegacias Especializadas, serviços e centros de atendimento a mulheres, e Varas Especializadas em  Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (instituídas pela Lei Maria da Penha)  ainda é reduzido, havendo muitas localidades sem cobertura. O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher no Brasil, concluído em 2013, revela "o insuficiente número de equipamentos, e sua desigual distribuição geográfica, com concentração majoritária nas capitais e regiões metropolitanas"(CPMI, 2013, p. 47), fato que dificulta o acesso de mulheres e limita a cobertura a apenas 1,72% dos municípios  brasileiros.

Portanto, aprofundar essas conquistas, e alcançar outras, continua sendo um desafio para as políticas públicas, o movimento feminista e os movimentos de mulheres.    

Referências:

PINTO, Cláudia Jardim. Uma História do Feminismo no Brasil. SP: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.

 Waiselfisz, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2012. Atualização: homicídios de mulheres no Brasil. RJ: Cebela e Flacso Brasil,  agosto de 2012. Disponível em: <http://mapadaviolencia.org.br>. Acesso em: 10 maio 2014.

 SENADO FEDERAL. Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência Contra a Mulher no Brasil. Relatório final.  Brasília,  2013. Disponível em <http://spm.gov.br/publicacoes-teste/publicacoes/relatorio-final>. Acesso em 10 maio de 2014.


Para saber mais sobre as conquistas do movimento feminista e dos movimentos de mulheres no Brasil ver:

HEILBORN, Maria Luíza (org.) Movimentos de Mulheres. Unidade 4. Módulo 2. In: ______. Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça. Rio de Janeiro: CEPESC, Brasília, Secretaria de Políticas para Mulheres, 2010. 

TAVARES, Márcia Santana; SARDENBERG, Cecília M. B. ; GOMES, Márcia Queiroz de C. Feminismo, Estado e Políticas de Enfrentamento à Violência contra mulheres: monitorando a Lei Maria da Penha. Revista Estudos Feministas. dez. 2011/jan. jun. 2012. Disponível em: http://www.tanianavarroswain.com.br/labrys/labrys20/brasil/lei%20MP.htm. Acesso em: 10 maio 2014.

 Por Ingrid

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