quarta-feira, 16 de julho de 2014

Os números dos homicídos contra a mulher no Brasil


Em tempos de violência naturalizada às vezes nem nos damos conta de que em determinados momentos estamos sendo vítimas de violência sexista. Por isso, é importante nos atentarmos para os detalhes, pois a violência está aí, no cotidiano, no trivial, disfarçada de elogios, piadas, gentilezas e em ações ditas comuns, estabelecidas nas relações sociais. 
 
Os discursos promovidos por meio da mídia e de empresas do entretenimento e bebidas, por exemplo, passam a imagem da mulher como coisa, objeto de posse, status e troféus dos homens. Nesse sentido, quando na rua, um homem, um desconhecido qualquer, que nos dirige “cantadas” - que pra muitos podem ser consideradas elogios - de forma desrespeitosa seja grosseiramente, seja simbolicamente, e assim o faz apenas pelo fato de sermos mulheres, muitas vezes também é o mesmo pretexto que o leva a cometer estupros. 
 
Além dessa violência simbólica que permeia as relações sociais e afetivas também há a expressão máxima de toda essa violência que é o assassinato de mulheres.
Segundo o mapa da violência de 2012, em relação aos homicídios, as armas de fogo causaram 49,2% dos homicídios que vitimizaram mulheres, seguido de objetos cortantes, penetrantes, contundentes, além de sufocamento, juntos totalizam 39,7%; Em relação ao local 41%, ocorreram em sua residência/habitação.

Isto posto, dá para inferir que a maior parte dos homicídios cometido contra mulheres, são oriundos de violência doméstica.

Nesse contexto de violência contra as mulheres, especificamente, nos óbitos por homicídios, o estado do Espírito Santo, assume um vergonhoso primeiro lugar na média nacional dos estados brasileiros, onde mais se mata mulheres. Nos dados atualizados do mapa da Violência de 2012 (homicídios de mulheres no Brasil) o estado apresenta uma taxa de 9,8 homicídios em cada 100 mil mulheres, o que dá mais que o dobro da média nacional. Na capital Vitória essa taxa é ainda mais alarmante e chega a 13,2 homicídios em cada 100 mil mulheres. 
 
Na lista dos 100 municípios onde mais se comete homicídios contra mulheres, o Espirito Santo, aparece com cinco entre os trinta primeiros: Serra no 7º, Aracruz 14º, Cariacica 19º, Vitória 25º e Vila Velha 29º.
No tocante a caracterização da violência contra a mulher, foi identificado a partir dos 107.572 atendimentos registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde os seguintes dados:
  • Atendimentos registrado relativos a Violência Doméstica, Sexual e/ou outras Violências: 70.285 (65,4%) eram mulheres e 37.213 (34,6%) eram homens;

  • Local de ocorrência: 71,8% dos casos ocorreram na própria residência da vítima e 15,6% dos casos em vias públicas. Dessa forma podemos fazer uma leitura que a violência doméstica ainda se faz muito presente na realidade das mulheres.

  • Relação da vítima com o agressor: Os conjugues e os ex-conjugues apareceram como os principais agressores com 27,6% e 8,5% respectivamente dos casos.

  • Principais tipos de violência identificadas: violência física 44,2% dos casos; violência psicológica ou moral acima de 20% e a violência sexual é 12,2%.

Segundo a pesquisa do IPEA “Violência contra a mulher: feminicídio no Brasil” os dados apontam que 61% dos óbitos foram de mulheres negras isso em todas as regiões, com exceção do Sul. A pesquisa destaca a elevada proporção de óbitos de mulheres negras nas regiões Nordeste (87%), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%). 
 
No meu entendimento,essa violência tem origem no machismo, na visão conservadora e preconceituosa quanto ao papel social da mulher que que dita o seu comportamento e a sua sexualidade, entre outras questões.

Esse dados apontam que a violência contra as mulheres no Brasil tem um viés racial e de gênero e a cada dia tem apresentado dados preocupantes. Nesse sentido é imperativo maior investimento em politicas públicas de empoderamento das mulheres em todos os aspectos - educacionais, habitação, geração de renda e trabalho, etc – e ações preventivas e educativas voltadas para os homens em uma tentativa de quebrar esse ciclo de violência.

Texto elaborado por Wilka França

Fontes consultadas:

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