quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Mil vítimas de violência doméstica e discriminação buscam atendimento na Cavvid

Recepção do Centro de Atendimento a Vítimas de Violência e Discriminação



Cerca de 1 mil munícipes que passaram por algum tipo de violência doméstica, discriminação racial e/ou preconceito por orientação sexual buscaram atendimento no Centro Integrado de Cidadania (CIC) – Casa do Cidadão, em Itararé, no ano de 2013.

O serviço, que é realizado pela Coordenação de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação (Cavvid) de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas, registrou 1.037 atendimentos. Desses, 88% estavam relacionados a violência doméstica, 3% a discriminação racial, 3% a discriminação por orientação sexual e 6% a outros tipos de violações.

Segundo a coordenadora da Cavvid, Lorena Padilha, o serviço tem como objetivo trabalhar as dimensões das relações violentas tanto com a vítima quanto com o agressor, promovendo o fortalecimento dos mecanismos psicológicos e sociais para que a pessoa possa enfrentar e superar a situação de violência e/ou discriminação na qual está envolvida.

A coordenadora destaca que muitas vítimas ainda desconhecem o serviço. "São muitas as pessoas que sofrem discriminação racial e discriminação por orientação sexual e, por desconhecer o serviço disponibilizado pelo município, acabam não nos procurando para iniciar a denúncia. Além do atendimento psicológico e social à vítima e à outra parte envolvida na situação, oferecemos orientações jurídicas para quem se encontra nessa realidade", disse Padilha.

Atendimento

Na Cavvid, o atendimento é prestado de maneira articulada com a rede socioassistencial do município e compreende o acolhimento, acompanhamento social, psicológico, psicossocial e orientação jurídica. A busca pelo atendimento acontece de forma espontânea ou mediante encaminhamento de outros serviços ou instituições, não sendo necessário agendamento prévio.
Nos casos de violência doméstica e discriminação racial, são atendidos os moradores de Vitória. Já o atendimento às vítimas de discriminação por orientação sexual é disponibilizado para pessoas de todo o Estado.
Serviço
Coordenação de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação (Cavvid)
Endereço: avenida Maruípe, 2.544, 1º piso, bloco C, Itararé (Casa do Cidadão)
Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas
Informações: (27) 3382-5464 e 3382-5465

Fonte: http://www.vitoria.es.gov.br/noticias/noticia-13601

Discutindo a matéria...

O que me chamou atenção nos dados apresentados é o baixo percentual dos casos de discriminação racial, apenas 3%. Penso que devemos problematizar e refletir sobre essa estatística. Por que será que ainda a notificação, a busca por ajuda e direitos sobre a questão racial e étnica ainda tem pouca adesão? O que leva às vítimas não darem visibilidade a essa questão?

Penso que os motivos são diversos e perpassam desde a naturalização do racismo e do preconceito até casos de intimidação e conformismo por acreditarem que não dará em nada. Contudo, não nos enganemos essa estatística é alta, sabemos disso, pois diariamente lemos nos jornais e assistimos nos programas de TV sobre casos de violência e discriminação por causa da raça/étnia de uma pessoa.

É importante que tenham espaços que possam acolher as vítimas, mas também é essencial que esses casos ganhem visibilidade para que possamos tomar conhecimento da dimensão e onde e como agirmos no enfrentamento à esse tipo de violência.

Publicado por: Wilka França

Nenhum comentário:

Postar um comentário