Igualdade Racial
Conheça as políticas e ações voltadas para a promoção da
igualdade racial. O enfrentamento ao racismo é uma das ações, que em
Vitória conta com a ajuda do Conselho Municipal do Negro (Conegro). As
escolas da rede pública também são orientadas a respeito do combate ao
racismo. Outro ponto importante é a valorização da cultura negra, como
ocorre no Museu Capixaba do Negro (Mucane).
Carlos Antolini
Elizabeth Nader
A capital adota iniciativas que buscam contribuir para o enfrentamento do racismo, várias delas coordenadas pela Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid). É o caso do Conselho Municipal do Negro (Conegro),
composto por representantes da sociedade civil e do poder público, esse
conselho acompanha e avalia as políticas de promoção dos
afro-brasileiros.
O Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial contempla as
políticas voltadas aos segmentos historicamente discriminados, com
prioridade para a população negra. As ações afirmativas são
desenvolvidas políticas em conjunto com as secretarias municipais de Turismo, Trabalho e Geração de Renda (Semmtre), de Educação (Seme), Saúde (Semus) e Assistência Social (Semas).
O objetivo é criar oportunidades de escolarização e
profissionalização para a juventude negra em situação de vulnerabilidade
social. O Movimento Negro, um segmento da sociedade civil, é parceiro
nas atividades realizadas pela Semcid. Para monitorar as ações, a Prefeitura conta com o Comitê de Avaliação e Acompanhamento de Políticas Municipais de Promoção da Igualdade Racial.
No caso da saúde, as ações levam em conta a política de atenção à
saúde da população negra, como a implantação do Programa Nacional de
Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme, enfermidade que teve
origem na África e chegou a América com a imigração forçada de escravos.
A secretaria realiza ainda outras ações. A fim de desconstruir o
racismo no âmbito institucional, são oferecidos cursos, seminários e
oficinas aos funcionários da Prefeitura. E, para combater a intolerância
religiosa, foi criado os Diálogos Plurireligiosos, uma iniciativa
articulada entre as religiões de vertente cristã e de matriz africana.
Museu Capixaba do Negro é centro de referência da cultura afro
André Sobral
O Museu Capixaba do Negro "Verônica da Pas" (Mucane),
que fica na Avenida República, no Centro, é um espaço de convergência
de serviços destinados à população negra. O local foi totalmente
restaurado e modernizado e está equipado com auditório, biblioteca, área
para eventos, museu e mezaninos.
O edifício original, com 716,00m², foi totalmente restaurado e ainda
foi construído um anexo com 717,34m², onde será instalado o Centro de
Referência da População Negra. O novo prédio tem salas para uso coletivo
e da administração do museu, área para eventos, mezanino, jardim,
banheiros, entre outros.
Entre os objetivos da revitalização do Museu Capixaba do Negro, está o
de propiciar meios para o desenvolvimento de ações educativas que
promovam a conscientização sobre a importância da preservação do
patrimônio histórico-arquitetônico da capital capixaba.
O museu passa também a ser um centro estadual de referência à cultura negra. A restauração e a implementação do Mucane
contribuem ainda com a iniciativa de revitalização do Centro Histórico
de Vitória, apresentando o espaço como opção de atividade cultural para
escolas e outros grupos organizados.
Prédio histórico
O prédio do Museu do Negro é um dos remanescentes da arquitetura de
estilo eclética do início do século XX. O imóvel foi construído pelo
coronel Francisco Schwab, com mourões de estacas de camará, em 1912, ano
em que foi aberta a Avenida República.
Com dois pavimentos, o prédio foi ocupado inicialmente por três
famílias, que moravam no primeiro pavimento e instalaram seus comércios
no térreo. Lá, funcionaram a padaria de Victor Maria Sarlo, a Casa de
Couros, da família Dodinger, e a farmácia de Júlio Graça.
Em 1923, houve a permuta do prédio com o Estado. Após uma reforma, a
edificação abrigou, a partir de 1924, o Correio de Vitória e, mais
tarde, o telégrafo. Em 1935, foi sede do antigo Departamento de
Estatística Geral.
Na década de 90, a edificação ganhou novos usos. Criado em 13 de maio
de 1993, o Museu Capixaba do Negro, marco da resistência da cultura de
origem africana na cidade, passou a funcionar no primeiro pavimento do
imóvel.
Em 2007, o prédio foi cedido à Prefeitura de Vitória, que viabilizou recursos municipais e federais para elaboração do espaço.
Onde fica o Mucane
Endereço: Avenida República, 121, CentroTelefone: (27) 3222-4560
E-mail: mucane@vitoria.es.gov.br
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9 às 17 horas
Semana da Consciência Negra é comemorada em novembro
Kadidja Fernandes
Foto Divulgação
A Lei Federal 10.639/2003
determinou o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas e
instituiu a data de 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência
Negra, uma homenagem ao líder quilombola Zumbi dos Palmares.
Anualmente, na Semana da Consciência Negra, a Comissão de Estudos Afro-Brasileiros (Ceafro)
organiza diversas oficinas culturais, divulgando elementos da cultura
negra, a exemplo da dança, da capoeira, do teatro e dos jogos africanos.
As oficinas buscam o aprofundamento cultural: quem participa da
oficina de dança, por exemplo, conhece a origem e o significado dos
movimentos e suas relações com o corpo africano. Essas atividades têm
conseguido modificar a visão do aluno negro, que descobre ou confirma a
riqueza cultural de sua etnia.
Escolas da rede pública têm orientação para combater o racismo
Foto Divulgação
Embora o preconceito racial esteja na estrutura da sociedade
brasileira, ao longo do tempo, ele foi e ainda está encoberto por um
falso discurso de igualdade étnico-racial.
Apenas nas últimas décadas do século XX, o racismo passou a ser
concebido como um fator estruturante das relações sociais no Brasil.
Graças ao trabalho, sobretudo do Movimento Negro Brasileiro, os
desníveis entre brancos e negros passaram a ser finalmente questionados.
Da luta do Movimento Negro nasceu a lei que tornou obrigatório, em
todas as escolas oficiais e particulares dos níveis fundamental e médio
do país, o ensino de história e cultura afro-brasileira no âmbito de
todo o currículo escolar. No entanto, sozinha, essa lei não seria capaz
de alterar as práticas racistas existentes no cotidiano das unidades de
ensino. Era preciso um conjunto de ações e um setor responsável para
gerenciá-las. Dessa necessidade, nasceu a Comissão de Estudos
Afro-Brasileiros (Ceafro).
Composta por professores e pedagogos com experiência em estudos e ações sobre educação afro-brasileira e africana, a Ceafro
é referência no país quando se trata do combate à discriminação étnica
em escolas públicas. A comissão já atuou em eventos científicos até no
exterior. Ela é responsável por duas atividades principais: os cursos de
formação para profissionais da educação e a assessoria às escolas.
Assessoria às escolas
A comissão realiza, nas escolas, atividades como reuniões de
planejamento, apresentação de materiais pedagógicos, acompanhamento a
grupos de estudo, acompanhamento a denúncias de atitudes racistas no
ambiente escolar e formação em serviço. Essa assessoria abrange a
educação infantil, o ensino fundamental e a educação de jovens e
adultos.
Legislação
- Lei Federal 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares do país.
- Portaria Municipal 52/2004, que cria a Ceafro.
Estatueta Professora Olga Maria Borges rende homenagem à educadora
A
educadora Olga Maria Borges nasceu na capital em 1941. Dedicou 26 anos
de sua vida a educação infantil, sendo essa atividade sua grande paixão,
o que lhe valeu o apelido de Tia Olginha. Faleceu em 1998, deixando sua
grande contribuição para o ensino no município de Vitória. Uma vez por
ano, a Comisão de Estudos Afro-Brasileiros (Ceafro)
entrega a estatueta "Professora Olga Maria Borges", a título de
homenagear educadores e unidades de ensino que desenvolvem alguma
atividade considerada relevante para a promoção dos afro-brasileiros. A
estatueta lembra uma mulher negra guerreira e expressa a dignidade das
pessoas que simbolizam a resistência da cultura negra ao redor do
planeta.
Núcleo Afro Odomodê mobiliza jovens contra desigualdade racial
Carlos Antolini
Elizabeth Nader
Inaugurado em novembro de 2006, o Núcleo Afro Odomodê desenvolve
atividades culturais voltadas para jovens afrodescendentes entre 13 e 29
anos, que residem em Vitória. O núcleo é um espaço de formação,
convivência e participação que busca estimular, sensibilizar e mobilizar
os jovens para a luta contra os preconceitos, violências e exclusões.
Entre as atividades oferecidas gratuitamente no espaço, estão
oficinas de percussão, penteado afro, forró, grafite, canto, moda e
break, que contribuem com o resgate e a valorização da cultura afro. Em
2013, o núcleo iniciou a série Diálogos Odomodê, um grupo de estudos
voltados para temas ligados ao movimento negro no Espírito Santo.
Rodas de conversa, debates, exibição de filmes, apresentações em
escolas e em outros espaços culturais são iniciativas do Odomodê para
também orientar, tirar dúvidas e formar opinião crítica sobre diversos
assuntos do universo jovem. Em todas suas ações, o Odomodê busca
incentivar o protagonismo juvenil e contribuir com a autoestima de todos
os jovens.
Como participar
Para se inscrever nas atividades oferecidas, é necessário ser morador
de Vitória e apresentar o original e a cópia dos seguintes documentos:
identidade, comprovante de residência e declaração de escolaridade.
Onde fica
Endereço: Av. Professor Herminio Blackmam, 1000/1001 Bairro da Penha - Vitória - ES
Telefone: (27) 3235-2614 / 3315-4349
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas
Telefone: (27) 3235-2614 / 3315-4349
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas
Prefeitura implementa ações de qualificação para as profissionais negras
Tiago Alves Pereira
As condições econômicas, culturais e sociais das mulheres negras que
ainda sofrem com os impactos gerados de uma cultura de submissão e
inferiorização têm conduzido-as ao não reconhecimento do seu
pertencimento racial, ou seja, de ser mulher negra capaz de superar a
cultura do racismo advinda do processo histórico que constituiu e
constitui a sociedade brasileira.
A Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid),
por meio da Gerência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial,
contribui com políticas afirmativas para as mulheres negras e não negras
desempregadas e residentes na cidade de Vitória.
A implantação de ações voltadas para a defesa dos direitos da mulher
negra é uma recomendação da Conferência de Beijin, do Estatuto da
Igualdade Racial, da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade
Racial e também está contemplada na Convenção Internacional pela
Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher.
As ações objetivam contribuir para que elas criem condições de
liberdade e de igualdade de direitos e fortaleçam a sua participação na
vida política, econômica, social e cultural.
Assim, no ano de 2012, foi desenvolvido o projeto Mulher Negra Cidadã
com recursos oriundos de emenda parlamentar e contrapartida da
Prefeitura. Este projeto visa ao atendimento através de cursos
profissionalizantes a 320 mulheres munícipes de Vitória, sendo que 75%
desse total será reservado às mulheres negras da região denominada
Território da Paz (toda região de São Pedro, Forte São João e Ilha do
Príncipe), do Programa Terra Mais Igual, destacando os bairros com baixo
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Qualidade Urbana (IQU).
Corrida Zumbi dos Palmares promove a igualdade racial
André Sobral
Yuri Barichivich
A Corrida Zumbi dos Palmares pela Igualdade Racial é uma ação da
Gerência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria
Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid).
O evento tem parceria da Secretaria Municipal de Esportes, de
Administração, de Segurança Urbana e Transportes, Federação de Atletismo
do Espírito Santo e do Serviço de Orientação ao Exercício (SOE) da Secretaria Municipal de Saúde.
Realizada em novembro, a corrida visa mobilizar a sociedade de
Vitória a refletir acerca das desigualdades raciais e estimular a
promoção dos direitos desse segmento, promovendo sua auto-estima através
do esporte. Também visa sensibilizar a sociedade para a necessidade de
políticas públicas voltadas à população negra.
Vale ressaltar também que estimula a prática de esportes e lazer com o
objetivo de combater o sedentarismo, considerado fator de maior risco
em relação à doença arterial coronariana que deve ser combatida por essa
parcela da população.
Vítimas de violência e discriminação têm atendimento especializado
Arquivo PMV SECOM
A Coordenação de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação
(Cavvid) tem como objetivo trabalhar as dimensões das relações violentas
tanto com a vítima quanto com o agressor. A ideia é fortalecer os
mecanismos psicológicos e sociais para que a pessoa possa enfrentar e
superar a situação de violência e/ou discriminação na qual está
envolvida.
Tais ações são oferecidas às vítimas de violência doméstica,
discriminação racial e por orientação sexual. O serviço é realizado pela
Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid).
A busca pelo atendimento acontece de forma espontânea ou mediante
encaminhamento de outros serviços ou instituições. Não é necessário
agendamento prévio. O atendimento é prestado de maneira articulada com a
rede socioassistencial do município e compreende o acolhimento,
acompanhamento social, psicológico, psicossocial e orientação jurídica.
Nos casos de violência doméstica e discriminação racial são atendidos
os moradores de Vitória e, nos de discriminação por orientação sexual,
os de todo o Estado.
Sociedade civil e poder público discutem políticas para população negra
Imagem Internet
O Conselho Municipal do Negro (Conegro) acompanha e
avalia políticas de promoção dos afro-brasileiros. Constituído por
segmentos da sociedade civil e do poder público, é vinculado à
Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid). O órgão foi criado pela Lei Municipal 4.432/97
e busca propor meios que assegurem à população negra o exercício pleno
de sua participação e integração no desenvolvimento econômico, social,
político e cultural.
Competências do conselho
- promover e desenvolver eventos com o objetivo de discutir e propor políticas de combate às discriminações e ampliação dos direitos da população negra em busca de sua cidadania;
- propor aos demais órgãos e entidades da administração municipal o planejamento e a execução de políticas públicas relacionadas ao negro;
- propor diretrizes para as políticas públicas voltadas à comunidade negra;
- propor a criação de instrumentos legais que assegurem a participação qualificada do negro em todos os níveis e setores da administração municipal;
- analisar e pronunciar-se sobre projetos de lei e decretos referentes aos direitos e à afirmação da comunidade negra, bem como oferecer contribuições para o seu aperfeiçoamento;
- opinar e fornecer subsídios relativos à afirmação e à valorização da comunidade negra;
- propor e contribuir para a realização de campanhas educativas sobre o combate ao racismo e à discriminação racial e intolerância religiosa;
- manter intercâmbio com entidades, organizações, públicas e privadas, de pesquisa e demais atividades voltadas à questão da afirmação da comunidade negra e ao combate ao racismo;
- receber denúncias que lhe sejam dirigidas, encaminhando-as para o Centro de Referência e acompanhando as providências tomadas;
- indicar seus representantes em órgãos ou fóruns que promovam a discussão de políticas públicas e sociais de caráter afim;
- divulgar, através de instrumentos institucionais e meios de comunicação em geral, as atividades e decisões do conselho.
Representantes
O Conegro é constituído por 20 membros titulares e
seus respectivos suplentes. Os conselheiros exercem um mandato de dois
anos e participam de reunião ordinária sempre na última quinta-feira do
mês.
Informações
Conselho Municipal do Negro
Endereço: Avenida Maruípe, 2.544, Itararé (sede da Semcid)
Telefone: (27) 3382-6697 / 6699
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas Fonte: http://www.vitoria.es.gov.br/cidade/igualdade-racial Publicado por: Wilka França
Endereço: Avenida Maruípe, 2.544, Itararé (sede da Semcid)
Telefone: (27) 3382-6697 / 6699
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas Fonte: http://www.vitoria.es.gov.br/cidade/igualdade-racial Publicado por: Wilka França
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